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LuVerga Curadoria - Jens Hoffman Jens Hoffman é curador e escritor. Vive e trabalha em Londres, onde é diretor de Exposições do ICA - Institute of Contemporany Arts. Realizou a curadoria de mais de uma dezena de exposições, tendo publicado diversos textos sobre arte contemporânea. "A Exposição como trabalho de Arte" foi uma palestra apresentada por Jens Hoffman em 17 de março de 2003 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro. Esse projeto consistiu em formular a seguinte pergunta para um grupo de artistas e curadores: "Uma exposição pode ser um trabalho de arte?". As respostas foram exibidas na exposição e publicadas no catálogo que a acompanhou. "A palestra junta um grupo de conceitos presentes nas idéias que estão por trás das exposições de que fui curador nos últimos quatro anos. O principal objetivo dessas mostras foi conceituar a idéia de curadoria e alguns dos modelos mais comuns na estrutura do sistema atual de exposições". "Os curadores ocupam desde a década de 1970, um papel de maior destaque no processo de produção de exposições. Isso se tornou o princípio criativo dos então chamados realizadores de exposição. Sendo o curador um intermediário entre o indivíduo criativo e a sociedade." "Recentemente, o foco foi deslocado e amplamente criticada essa forma de construção de exposição. Hoje, com a crítica às fixações dos curadores em interesses pessoais, preocupações teóricas e colaborativas emergiram como tentativa de dar tanto espaço quanto possível aos artistas ao mesmo tempo em que permitem ao curador a formulação de um ponto de vista forte e pessoal. Entretanto, uma forma mais radical de curadoria também surgiu, como forma que questiona e investiga o próprio conceito de curadoria e todo o sistema subjacente à produção de exposições. Essa é a forma de curadoria que este pequeno artigo vai abordar." "Fui treinado para ser diretor de palco/ teatro. Estando muito interessado no caráter provisório do teatro, mas sem nenhuma experiência real como diretor, dirigi algumas peças na escola de arte dramática e então comecei a trabalhar com projetos interdisciplinares, envolvendo um cruzamento de artes visuais e artes da performance. Logo depois, comecei a fazer curadoria e organizar projetos de teatro dentro do contexto das artes visuais.A formação como diretor de teatro contribuíu de forma significativa para o que faço hoje; a noção de trabalho colaborativo, como entre diretor e atores e também entre outros membros da companhia, é algo que me atraiu no teatro e que tem muito a ver com o relacionamento que mantenho com os artistas." "Se falarmos sobre a criatividade da curadoria hoje, acho que está muito relacionada a um diálogo constante com os artistas e é influênciada de maneira significativa por seus trabalhos e processos de trabalho." "Daniel Buren disse uma vez que um trabalho de arte que é produzido para um público e exposto a um público tem sempre um impacto político, como uma ação que se inscreve em uma cetta ordem social. Não apenas representa uma situação atual em figuras ou palavras, mas também a produz. Esse é o processo que estou tentando criar, e é disso que trata meu trabalho como curador: o momento em que a construção de uma exposição se encontra com a sociedade, em que cria uma relação em direção aos espectadores que lhe permite se tornarem sujeitos de suas próprias experiências." "Geralmente excluo a possibilidade de mostrar imagens que documentem projetos com que tenho estado envolvido, e, disso, procuro criar uma situação na qual uma apresentação, uma palestra ou um texto como este possam, talvez, se tornar uma experiência, um processo em si mesmo. Mostrarei, entretanto, um pequeno filme que em minha opinião significa um ponto particular de meu enfoque como curador. É um filme do artista alemão Carsten Höller, com quem compartilho muitas preocupações e interesses. Feito para a exposição Laboratorium, em 1999, na Antuérpia, intitula-se On Minute of Doubt. " Jens Hoffman selecionou seis exposições onde foi o curador, e as apresentou. Descreverei aqui duas delas: The Show Must Go On "Trabalhei no Museu Guggenheim de Nova York durante o período de 1999, e o museu em uptown estava recebendo sua vergonhosa exposição de motocicletas. Não podia acreditar que realmente estava trabalhando para uma instituição de arte tão conhecida e supostamente distinta, que não estava, de fato, mostrando nada de arte. Pensei em uma maneira de mudar ou pelo menos reagir a isso. Esvaziei uma prateleira em meu escritório e lá mostrei trabalhos de cinco artistas, intitulando o projeto The Show Must Go On. O projeto mal foi reconhecido, mas para mim foi um meio de produzir sentido a partir do que eu estava vivenciando no museu e de formar uma resposta crítica em relação a isso. The Show Must GO ON foi o primeiro que, de uma maneira criativa, desafiou a idéia do que uma instituição pode fazer e do espaço em que uma exposição pode ocorrer em uma instituição." Caribbean Biennial "Organizei esse projeto e fiz sua curadoria com o artista italiano Maurizio Cattelan, no outono de 1999. O que fizemos foi muito simples: criamos uma bienal que não existia antes; nós a inventamos, construímos um escritório e fingimos que essa bienal já existia há 12 anos - incluindo um presidente falso e uma história fictícia das exposições anteriores. Em seguida, convidamos 10 artistas para participar. Sem me aprofundar no assunto; hoje, a questão mais complicada a respeito das bienais é provavelmente a importação/ exportação do próprio modelo ocidental de bienal para países cujas condições sociais e culturais são muito diferentes daquelas da Europa Ocidental ou América do Norte. É de fato verdade que uma exposição pode ser montrada de uma maneira muito mais fácil uma vez que carregue a palavra 'bienal' e, é claro, ganhar maior atenção do que uma exposição coletiva regular de grande porte. A maioria das atividades de arte em uma comunidade como uma bienal, ocorre somente durante o tempo da mostra, já que todos na cidade querem apresentar exposições e outros projetos de arte a um público internacional. Durante os dois anos de intervalo entre as bienais, dificilmente alguma coisa acontece, e as atividades de arte locais desaparecem. Contra esse cenário de fundo, montamos a nossa bienal recém-inventada - uma bienal que não existiu como exposição, já que não exibimos nenhum trabalho de arte, mas como um mero evento ou proposição. Fomos para uma pequena ilha do Caribe onde ficamos durante uma semana, junto com os artistas convidados, mas sem montar uma exposição de verdade, impondo assim também um desemprego temporário aos artistas para talvez refletir sobre alguns dos tópicos que tenho aqui destacado. O conceito do trabalho de arte é subvertido, ao não lhe destinar qualquer espaço, numa condição que força os artistas a ocuparem todo o espaço dado com eles mesmos e seus pensamentos, estimulando uma condição de maior comunicação entre os participantes." Referência: A exposição como trabalho de arte. Jens Hoffman. ano 5. número 6. julho 2004.
SEGUE AGORA O PROJETO DE DESENHO - LUCIANA 2005. Escrito por Lu às 09h37 [ ] [ envie esta mensagem ] Integração com outras linguagens plásticas A colagem foi inserida porque possibilita a junção de elementos distintos, transformando-os em uma unidade; assim sendo, há a possibilidade de transformar duas idéias aparentemente divergentes em uma única expressão. Neste sentido, um desenho pode dialogar com outro, mesmo tendo sido executado em um momento diferente, a colagem permite que esta comunicação aconteça. E, desta forma surgem novas concepções de idéias e conceitos; que, talvez anteriormente à colagem não fosse possível. Colagem surrealista: "Qual é a mais nobre conquista da colagem? É o irracional". A relação que nasce da negação do real pelo maravilhoso é essencialmente de caráter ético, e o maravilhoso é sempre a materialização de um símbolo moral em oposição violenta com a moral do mundo no meio do qual surge. A colagem mostra que as relações ordinariamente percebidas entre os objetos e os seres não saturam o possível, convida à formação de um outro mundo. As colagens do pintor alemão Max Ernest foram para Magritte uma revelação. Sua entrada no surrealismo se colocou sob à égide dessa técnica nova da cola e da tesoura. Essa fusão dos registros de expressão já anunciava aquela que viria um pouco mais tarde com a introdução da palavra em sua pintura. Michael Foucault analisou detalhadamente a hibridação originada nos quadros de Magritte, da proximidade das palavras com as imagens. Os quadros procederam também da lógica da colagem. (DUROZOI; LECHERBONNIER,1976). Desenho autobiográfico/ Palavras: É através da junção das palavras e frases, que se consuma o verdadeiro propósito dos desenhos por mim apresentados. A palavra une-se ao desenho, transmitindo uma única mensagem (valores morais, fé, questões pessoais...). Segue um paralelo traçado com o artista Leonilson. - Entrevista de Lisette Lagnado com Leonilson: Lagnado: Você acha que a fé é um assunto para a linguagem contemporânea? Leonilson: O trabalho me ajuda. Nele coloco minha força. Ele não me deixa esmaecer. Fico fazendo esses trabalhos como orações, da mesma maneira que os hindus fazem bordados. É como uma religião que fornece símbolos. Acreditando neles, você pode chegar a algum lugar. Nas religiões primitivas, há um repertório de objetos, você pode pintar o corpo, fazer performances, tudo se liga a uma entidade superior (...) Meu trabalho é mais guiado por este sentido do que pelo valor estético. Isso não os impede de guardar uma sutileza. (LAGNADO,1995,P.119-120). Lagnado: A realidade da palavra é totalmente autobiográfica? Leonilson: É. (LAGNADO,1995,p.110). Leonilson; sobre os trabalhos autobiográficos: Acho que tem pessoas que insistiram no lugar do sujeito dentro do trabalho, e eu sou um deles. Mas existem também os que trabalham ao contrário. Não sei dizer se a gente tem mais liberdade. (LAGNADO,1995,p.112). Leonilson utilizava palavras e imagens como forma de concretizar uma simbologia pessoal, vinculada ao prazer de fazer. Escrito por Lu às 14h39 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]() Escrito por Lu às 09h16 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]() Escrito por Lu às 09h15 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]() Escrito por Lu às 09h11 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]() Escrito por Lu às 09h08 [ ] [ envie esta mensagem ] ![]() Escrito por Lu às 08h51 [ ] [ envie esta mensagem ] Conceito do Desenho Surrealista Tal como na teoria e na terapia psicanalística, na arte surrealista também foi de extrema importância a experiência onírica, na qual, coisas que se afiguram distintas e não-relacionadas para a consciência revelam-se interligadas por relações tanto mais sólidas quanto mais ilógicas e incriticáveis. (ARGAN,1992). Escrito por Lu às 18h27 [ ] [ envie esta mensagem ] METODOLOGIA DE OBSERVAÇÃO E CONSTRUÇÃO: O procedimento atual surgiu de uma necessidade de síntese do desenho; do desejo de uma expressão gráfica mais clara e sutil. Pretendendo possibilitar através da inserção ede símbolos (como os pássaros) e palavras uma reflexão sobre a fé. Para tanto as cores utilizadas são apenas o preto do nanquim, o branco característico do papel e as cores amarela e azul sutilmente aplicadas pela técnica da aquarelada aquarela. Segue o significado dos símbolos utilizados. Pássaros: No ocidente os pássaros geralmente significam a ligação entre a terra e o céu, o divino e o humano; entre Deus e o homem. Cores: - branco (do papel): Pode significar luz, pureza, limpeza, castidade. - preto (do nanquim): Pode estar associado a tristeza, a morte. Podendo oprimir e calar. - amarelo (da aquarela): Pode significar luz, brilho, calor, vida e alegria. - azul (da aquarela): Pode transmitir frieza, timidez, e estar ligado a intuição e ao intelecto. Segundo Goethe, todo branco que escurece tende a tornar-se amarelo, assim como todo preto que clareia tende para a coloração azul. GOETHE citado por PEDROSA, 1982. A utilização destas cores específicas nos desenhos é devida ao equilíbrio que proporcionam. Escrito por Lu às 16h21 [ ] [ envie esta mensagem ] PONTE COM O ARTISTA A escolha do artista Leonilson para fazer uma ponte com este projeto foi devida principalmente: - aos materiais utilizados em seus desenhos: o nanquim e a aquarela; - a inserção de palavras nos desenhos; - a temática: obra autobiográfica; - a abordagem da questão da fé; - o uso de elementos simbólicos. JOSÉ LEONILSON (1957-1993): Nascido em Fortaleza, traz em sua formação dois dados necessários para a leitura de suas obras: a cultura nordestina e a iconografia religiosa, ancorada nos valores morais. Sua obra é quase exclusivamente autobiográfica, Leonilson escolheu o 'eu' como grande tema dos seus trabalhos; e reúne cerca de mil trabalhos entre desenhos, pintura e objetos de pano, classificados como bordados. Parece que cada peça foi construída como uma carta para um diário íntimo. (LAGNADO,1995,p.129). Leonilson comenta em uma entrevista:"Sempre fui diferente. Não queria dedicar a minha vida a um trabalho físico ou burocrático que não me desse tempo de fazer uma auto-reflexão" (LAGNADO,1995,p.129).
Escrito por Lu às 16h39 [ ] [ envie esta mensagem ] Fotos
Escrito por Lu às 15h09 [ ] [ envie esta mensagem ] PROJETO DE DESENHO Este é um projeto de desenho que estou desenvolvendo, onde a relação apoia-se em uma proposta de desnho auto-biográfico fundamentada pelo entendimento do conceito do desenho surrealista. Levando-se em conta a atualização desta poética a partir de paralelos com a obra do artista Leonilson. Escrito por Lu às 13h26 [ ] [ envie esta mensagem ] oi oi! Escrito por Lu às 14h39 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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